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Pepe, o canhão da Vila

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“Não é uma questão de treino. Você não ensina ninguém a chutar forte. Era um dom. Não tinha preparação especial, nada, nada: eu simplesmente sentava o pé na bola” (Pepe, o eterno canhão da Vila)


Pepe seria dispensado do juvenil do Santos quando desmaiou o goleiro com um chute de longa distância e convenceu o técnico de que tinha um certo futuro no futebol. E não por menos, ficou conhecido por conta da força de seu chute como o Canhão da Vila e foi um dos maiores artilheiros da história do clube, marcando 405 gols em 750 partidas.


São muitas histórias nos 15 anos em que jogou pelo Santos, mas Pepe tem uma carinho especial pelo 7 x 6 sobre o Palmeiras e o título mundial de 1963. No jogo contra o Palmeiras no Pacaembu, pelo Rio- São Paulo em 1958, Pepe fez 3 gols, incluindo os dois últimos que garantiram a vitória do Santos. Além de ser considerado o maior jogo entre dois clubes brasileiros, o canhão sempre conta a história do homem incrédulo que encontrou ao voltar para casa. Pepe voltou de São Paulo para Santos em um carro particular do clube e, às 3h da manhã, ao chegar na cidade, pegou um ônibus intermunicipal e sentou nos últimos bancos, o tal homem, que tinha sinais de embriaguez, o reconheceu e perguntou sobre o jogo, Pepe falou que o Santos havia ganhado de 7×6 e o homem disse “Ah! Pare de brincadeira, estou falando sério!”


A outra partida, Mundial de 63 contra o Milan, Pepe também foi decisivo na virada histórica e marcou 2 gols. Mas as horas que antecederam esse jogo não foram um mar de rosas, o Santos havia perdido a primeira partida e além de precisar da vitória contra o melhor time europeu da época, precisava fazer isso sem Pelé, Zito e Calvet. Antes do jogo. Pepe ouviu de Dalmo que não iria jogar naquele dia e, desolado, cogitou deixar o Rio de Janeiro antes da partida. Pouco depois, esperando Athié e Modesto Roma (dirigentes do clube) e o técnico Lula, Pepe já estava pronto para ouvir que não jogaria e se preparava para ser grosseiro quando os três entraram em quarto e Lula perguntou “E aí, Bomba, como é que está pra hoje? Vamos precisar muito de você.”


Pepe não entendeu nada na hora, mas depois começou a achar que os dirigentes haviam tirado da cabeça do técnico Lula a ideia de deixá-lo no banco. Então, Pepe entrou em campo, fez 2 dos 4 gols marcados pelo Santos, todos no estilo “bomba”, daquelas que o goleiro não tem a mínima de chance. A performance de Pepe impressionou tanto que o Milan fez uma proposta pelo Pepe logo depois, mas o Santos foi sábio e não quis negociar.


Atuou como técnico do Santos em 1973 e ganhou o campeonato Paulista, trabalhou também na Arábia Saudita, em Portugual, no Peru e, no Catar, dirigiu Pep Guardiola, que sempre lhe perguntava sobre o Santos do Pelé.


Pepe sempre foi disciplinado e um exemplo para os outros jogadores, nunca foi expulso em toda sua carreira e, por isso, recebeu o trófeu Belfort Duarte (dado a atletas aposentados). Recentemente, Pepe lançou o livro “Pepe – O Canhão da Vila”, escrito por sua filha, Gisa Macia.

Imagens: Lance