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Gabinada, Gabitudo…

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Victor Rebouças

Conselheiro do Santos Futebol Clube

Antes de qualquer coisa vale deixar claro que não entendo nada de futebol, não me meto a discutir estratégias e posicionamentos e nem se tal jogador tem essa ou aquela polivalência. Mas sei apreciar aquilo que é essencial na arte da bola, qual seja a bela jogada e toda a engenharia que a constrói e que brota do talento inato daquele moleque e daquele outro, que são raros, mas fartos de tanta arte. São momentos em que o tempo para, a respiração entra em slow motion, e a alma, sem ser convidada, invade o campo, e ainda sem ser notada, vai leve, livre e solta e se mistura no rolo compressor do ataque, até o ultimo momento, que não raro gera um gol!! As vezes um belissimo Gooooooool !

Daí em diante valem todos os papeis, que vão do doido ao desvairado, abraço, sou abraçado, pulo, grito muito e quero mesmo que esse orgasmo seja eterno…. Nascer, viver e no Santos morrer…… É para isso que serve o futebol,….. um prazer sem limites que ganha cores especiais nos pés de certos poucos, mas magistrais! E exatamente nessa vibe acompanho as partidas do peixe nesse Campeonato Paulista de 2016, e começo a perceber outras energias envolvidas, que estão muito além da bola! O jogador, esse fenômeno cristalino, que transforma o seu talento em arte capaz de liberar todos os controles humanos, ah!! esse cara merece todo o meu respeito.

Aqui, nesse caso específico, em homenagem ao futebol potente e brilhante, mas ainda contido no garoto, que enlouquece a torcida enquanto tortura a si mesmo, menino Gabriel. Quero ver essa potencia torturando zagueiros e goleiros adversários….e quero ver isso aqui, no Brasil.

Não entendo e nem posso discutir futebol com você, mas entendo bem de seres humanos em suas mais sensíveis manifestações, pois a demonstram o tempo todo, em cada detalhe, mesmo que ainda não registrem as melhores marcas de aproveitamento. No caso do garoto Gabriel, ex Gabigol, em certos momentos Gabinada, em certas visões Gabitudo, merece muita atenção, pois há mais alegrias a serem descobertas através de seus dribbles, passes e chutes, do que houveram pepitas de ouro em Serra Pelada ! Esse garoto tem potencial de demolidor de zagas e franco atirador das metas.

Podem reparar e contabilizem as inúmeras oportunidades que lhe chegam em cada partida. Nada é por acaso, senão a bola de futebol fazendo sua mais legítima escolha, pois sabe bem quem sabe dela! Não entendo de futebol, mas acesso o fenômeno que o produz através do ser humano especial.

Arrisco dizer, contrariando a natureza do treino de fundamentos e da exaustão em busca da perfeição, com que vi o rei do futebol em campo chuvoso, depois do treino, nos idos dos anos 60/70, na velha Vila Belmiro, quase essa, mesma a repetir, repetir, repetir, até encontrar a melhor maneira da jogada, que o futebol do Gabriel já é, e o que falta agora é ele ser.

E naquele momento fatídico do segundo tempo de todos os jogos, em que o treinador sente o impulso de preservá-lo e o substitui, seria o ponto de convergência no qual ele deixaria de lado as limitações da personalidade que o impedem de produzir resultados expressivos e passaria a brilhar como pode de verdade, mas já é tarde!

Ah! Se me fosse dada a possibilidade de organizer a persona desse menino, certamente buscaria a sua alma, expandiria a sua mente através de conhecimentos que despertam a força interior, e arrisco a dizer que o interesse dele pelo corte de cabelo ou pelo modelo da camiseta diminuiriam na medida em que o seu futebol encontraria a sua propria natureza, que está ali, muito perto, mas ainda na dimensão oculta do atleta e do sêr humano especial. Esse jogo da semi final do Paulista 2016, ocorrido domingo dia 23/04 corrobora tudo isso de forma pontual!

 

Ps.: Texto escrito dois dias antes do jogo da semifinal do Campeonato Paulista 2016.